segunda-feira, 6 de março de 2017

Prefeito gay se casa com parceiro


O prefeito reeleito de Lins, Edgar de Souza (PSDB), casou-se no sábado (4), mas, ainda assim, a cidade do interior de São Paulo, não tem o que se convencionou chamar de primeira-dama. Um dos primeiros prefeitos assumidamente gays do Brasil, Souza casou-se com o empresário Alexsandro Luciano Trindade, com quem mantinha união estável há 13 anos. A cerimônia agitou a sociedade local. Até o governador Geraldo Alckmin (PSDB), em visita ao interior, passou por Lins na véspera para cumprimentar os noivos.

Os noivos entraram acompanhados pelos pais, familiares, além de pajens e daminhas de honra com as alianças. O "sim" teve direito a lágrimas e beijo. A juíza de casamento Aline de Oliveira, expediu a certidão de matrimônio. "Fizemos questão desse momento para dizer a todos que nos amamos. Corrupção é feio, lavagem de dinheiro é feio, mas o amor é muito bonito", discursou o prefeito.

O prefeito estreou na política aos 20 anos, em 2000, eleito para o primeiro mandato como vereador. Foram três mandatos consecutivos até 2012, quando foi eleito prefeito. Na campanha, decidiu assumir que era gay. "Falei no palanque: eu não tenho que esconder com quem vivo e quem eu amo. Se esconder não mereço ser prefeito de vocês." Ele conta que na campanha foi vítima de ataques homofóbicos. "Falavam que a prefeitura seria transformada em boate gay, coisas assim".

Na cidade de 75,1 mil habitantes, a maioria das pessoas abordadas pela reportagem aprovou o casamento. " O Edgar é bom administrador", disse Júlio Cesar Batista, o 'Geminho', de 60 anos.
"Gostamos dele como prefeito", afirmam os estudantes Giovana Verdeli e Alessandro Paulo Junior, de 17 anos. Para eles, Edgar e Alex têm direito a serem felizes. "Faz anos que vivem juntos, acho normal que se casem", disse a dona de casa Maria Luísa Martinho Soares, 64 anos, auxiliar do padre.
O apoio, porém, não é unânime. "Acho isso uma vergonha. Cada um sabe dos seus atos, mas ele é prefeito, não deveria ser de forma tão escancarada. Isso prejudica a cidade que está precisando atrair empregos. Lins perde credibilidade", criticou o balconista de farmácia Sérgio Luis Santana, de 42 anos. 
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo

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