quarta-feira, 30 de março de 2016

Políticos mentem porque a população se sente melhor assim



Trecho de um artigo de Thomas Sowell, um dos mais influentes economistas americanos, traduzido e publicado no portal do Instituto Mises Brasil.

O fato de que muitos políticos de carreira são mentirosos descarados e compulsivos não é apenas uma característica inerente à classe política; é também um reflexo do eleitorado. Quando as pessoas querem o impossível, somente os mentirosos demagogos podem satisfazê-las. Porém, quando a  E então começam a reclamar que os demagogos os enganaram e venderam ilusões.

Essas pessoas são as mesmas que, no passado, não apenas acreditaram piamente nas promessas dos demagogos, como também ignoraram rispidamente todos os alertas, feitos pelos mais sensatos, de que determinadas políticas populistas eram insustentáveis e cobrariam um preço caro no futuro. Pessoas que se recusam a aceitar verdades desagradáveis quando estas são ditas em épocas de bonança não têm direito de, no futuro, reclamar que os políticos mentiram e que elas foram enganadas. Afinal, com essa mentalidade, que outro tipo de candidato essas pessoas elegeriam?

Uma das principais mentiras do estado assistencialista é a noção de que o governo pode dar às pessoas coisas que elas desejam, mas que não podem bancar. Dado que o governo não produz riqueza, não tem renda própria e se mantém por meio da cobrança de impostos; então, por uma questão de lógica, se as pessoas como um todo não podem bancar algo, tampouco pode o governo. Se você vota em políticos que prometeram lhe dar algo pago com o dinheiro confiscado de terceiros, então você não tem nenhum direito de reclamar quando esses mesmos políticos resolverem tomar o seu dinheiro para repassá-lo para terceiros, inclusive para eles próprios.

Nada é mais fácil para um político do que prometer benefícios governamentais que não poderão ser cumpridos. E, enquanto o dia do ajuste de contas não chega, há diversas maneiras de aparentemente superar os problemas que surgirão. Se a arrecadação do governo não estiver conseguindo acompanhar o ritmo do seu aumento de gastos, ele pode imprimir mais dinheiro. Isso não torna nenhum país mais rico, mas insidiosamente transfere parte do poder de compra da população — bem como a poupança e a renda das pessoas — para o governo e seus protegidos. Imprimir mais dinheiro significa inflação — e a inflação é uma mentira discreta, por meio da qual o governo pode manter suas promessas no papel, mas com um dinheiro cujo poder de compra é muito menor do que aquele que vigorava quando as promessas foram feitas.

Será que é realmente tão surpreendente que eleitores com expectativas fantasiosas e irreais elejam políticos que mentem descaradamente sobre serem capazes de cumprir tais fantasias? Promessas sublimes sobre “justiça social” e “igualdade” não passam de estratagemas feitos para aumentar o poder de políticos, uma vez que tais belas palavras não possuem nenhuma definição concreta. Elas nada mais são do que um cheque em branco para criar uma gigantesca disparidade de poder que, em comparação, ofusca completamente as disparidades de renda — e é muito mais perigosa. Quem não entende o completo cinismo que existe na política não entende nada de política.



Fonte: charlezine

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