Uma das certezas que Sebastiana Maria do Carmo, mãe biológica de Sílvio, teve quando descobriu que estava grávida, era de que não teria condições de criar o filho. O parto foi realizado no Hospital Geral, onde Sílvio viveria entre os médicos e enfermeiras pelos próximos 17 anos.
“Ela conversou com um dos médicos, que era diretor do hospital na época, e explicou que não teria como ficar comigo. Minha mãe acompanhou meu pai, que era garimpeiro, trabalhava em Poxoréu (MT), achou uma pedra e foi vender. Tinha o sonho de achar uma pedra que iria emancipá-lo pela vida toda”, conta.
Atualmente, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) não permitiria que uma história como a de Sílvio se repetisse. No entanto, o marco regulatório foi sancionado em 1990, quando ele já tinha 43 anos.
Rodeado de carinho, cuidado e afeto, como reforça, Sílvio foi crescendo e amadurecendo em meio ao ambiente hospitalar. O aposentado tinha o próprio quarto no antigo prédio da primeira maternidade de Cuiabá.
Além dos brinquedos que costumava ganhar, o campinho nos fundos da unidade de saúde e a festa de Dias das Crianças organizada pelo Hospital Geral fazem parte de suas melhores memórias.
Com as mãos, Sílvio refaz o “caminho” de como chegar até o quarto. Os corredores do ambiente hospitalar viravam espaços para brincar na “casa” do aposentado.
O refeitório do Hospital Geral, onde médicos, enfermeiras e acompanhantes dos pacientes costumavam comer, também era onde Sílvio fazia suas refeições. A memória dele ainda guarda a disposição das mesas e cadeiras no local.
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