
O testículo tem um padrão de funcionamento muito
peculiar. Ele tem um papel muito importante na vida intrauterina, quando
promove através da secreção de hormônios a diferenciação da genitália para o
padrão masculino. Após o nascimento, ele passa um período de anos praticamente
quase sem secreção hormonal.
Esta “pausa” é interrompida com a chegada da puberdade, que ocorre geralmente entre 8 e 15 anos de
idade, nas crianças do sexo masculino. Uma
vez reiniciada a produção de hormônios, ela rapidamente aumenta até atingir o
máximo no fim da adolescência e começo da vida adulta.
É a testosterona, o seu principal
hormônio, o maior responsável pelas transformações corporais que ocorrem nesta
época da vida. Aumento da velocidade do crescimento, aumento da massa muscular,
alteração do timbre da voz, aumento das dimensões penianas,
desejo sexual, ereções, surgimento dos pelos, etc.
Uma vez atingido o pico da secreção da testosterona ela
permanece neste nível elevado até os 30, 40 anos. A partir de então a secreção
deste hormônio diminui lentamente. Cerca de 1% ao ano. Nos homens a produção de
testosterona que diminui anualmente é obviamente menor nos idosos.
A maioria dos pesquisadores acha que a redução dos hormônios masculinos que ocorre com a idade
avançada, não tem dimensão para acarretar sintomas. Em outras palavras, não
existiria a andropausa. Nas últimas décadas pesquisadores tem afirmado que em
alguns homens, esta redução é tão acentuada que causaria sintomas.
Calculam sua ocorrência em torno de 25% dos homens. Por conta disto,
advogam que nestes casos a reposição de testosterona traria benefícios. Porém
os resultados de muitos trabalhos científicos abordando o problema mostram
controvérsias. Assim, enquanto alguns mostram benefícios, outros contestam,
afirmando que mesmo quando eles existem são discretos e não justificaria os
riscos dos efeitos colaterais.
Os defensores do emprego de testosterona afirmam
que ela melhora a libido, a função erétil, a massa muscular a vitalidade, o
psiquismo, a sensação de bem estar etc. Além disto, argumentam que a
terapêutica hormonal melhora os marcadores de doença cardiovascular.
Os críticos, por outro lado, argumentam que mesmo quando estes
benefícios surgem, eles são discretos e pouco duradouros. Citam, inclusive,
como exemplo, a melhoria da função erétil com testosterona. Mesmo quando
existente são inferiores aos obtidos com os inibidores da fosfodiesterase
(Viagra e similares).
Mostram, entre os efeitos deletérios deste hormônio nos idosos, o agravamento do aumento
benigno da próstata. Além disto, apesar de não causar câncer desta glândula,
este tratamento agravará esta doença, quando já existente.
Entre outros efeitos colaterais, pode existir atrofia dos testículos, crescimento das mamas, maior probabilidade de trombose venosa, piora da apneia do sono,
agressividade, etc. Existem tantos trabalhos científicos defendendo. Quanto criticando o emprego da testosterona nos idosos. A controvérsia
persiste.
Nenhum comentário:
Postar um comentário